domingo, 5 de setembro de 2010

Das reticências necessárias.

Aham, é muito bom ver que os blogs estão novamente (quase) em alta. Porque eu descobri esse mundo cyber blogando. E porque fiz amigos de quem eu nunca mais desgrudo blogando.
Eu nem sou pesquisadora do cyberespaço, principalmente porque vivo muito nele ou, melhor: eu protagonizo minha história também nele. Pra pesquisá-lo eu teria que – de forma antropologicamente necessária, aquele esforço do etnógrafo – afastar-me. Por não me sentir disposta (risos), eu faço observações e generalizações, induções e deduções sem me preocupar muito se isso é estatisticamente provável.
No início dessa história cyber, éramos os blogs. Semanalmente, religiosamente – quase, postávamos nossas lágrimas ou risos, histórias, contos, poemas... E a gente se entendia por essa linguagem. Começamos a nos comunicar pelo IRC. Quem lembra? Conversas coletivas nos #canais e “segredinhos” no PVT. O MSN começou a ganhar espaço e a individualizar, cada vez mais, as nossas conversas. O Orkut, concomitantemente ao MSN, passou a tornar os pequenos parágrafos as formas mais “próximas” de comunicação. Vez ou outra, surgia um depoimento, um texto maior. Mas os scrapbooks sintetizavam as tentativas de estabelecer um diálogo mais duradouro. Resolver problemas relacionais? Aí sim, novamente, o MSN. Veio o Twitter – o que para mim é uma rede fantástica, escalafobética, mas cheia de defeitos – e aí você segue pessoas desconhecidas ou nacional/mundialmente conhecidas, “retwitta”, responde, ainda de forma mais sintética. Temos que abreviar boa parte das palavras se quisermos dizer algo de forma mais “profunda”, porque nem sempre o sintético é eficaz, ele é apenas eficiente.
Sinceramente, eu me “desesperei” quando pensei na possibilidade de não mais escrever textos mais longos com meus amigos... (Ai, to me sentindo ridícula falando isso! Mas é o que eu percebo. Então que se lasque se está ridículo.) Mas... Hoje há um retorno da necessidade de falar mais, escrever mais, talvez pensar mais, porque somos seres redundantes e precisamos das reticências que não cabem em nossas apnéias e que não cabem em 120 caracteres.
Não abreviar as palavras é, quem sabe, estender as relações. Ou simplesmente pensar mais no que falar, e ter a possibilidade de falar mais sobre o que pensamos. É como a diferença entre um aperto de mão e um abraço.
Dos meus amigos eu espero o abraço. Espero a oportunidade e possibilidade de vê-los falar mais, e assim estender as relações, as reticências, as redundâncias, o “exagero”, as exceções e tudo o mais.
Agora vou tomar um remedinho, porque a enxaqueca não me deixa.

domingo, 29 de agosto de 2010

Vendaval, Carrossel, Segue a vida a rolar...

Olá, pessoas...
Pois então. Ando correndo muito! (redundante, né?)
Mas tenho muita coisa pra dizer, falar, escrever e refletir...
Então, assim que eu conseguir, eu volto!


Obrigada a quem lê!

"Vendaval, carrossel 
Segue a vida a rolar 
Pé na estrada, pó de estrelas 
Coração vulgar 
Que navega no céu 
E navega no ar 
Grão de areia vagar"


(A Via Láctea - Lô Borges e Ronaldo Bastos)







domingo, 18 de julho de 2010

Acordei de um sonho estranho...

Tocando “Pátria Minas” aqui na TV... Comento? Não, né... Reticências costumam dar a ideia de que não se quer falar, mas as minhas falam muito. E por isso eu tenho um ar de “cheia de mistérios...”

É estranho que se diga “eu estou com preguiça de escrever”. Eu às vezes digo; é o caso de hoje. Eu não sei por que, exatamente, se diz isso. Mas fico a imaginar. Talvez seja porque, na grande maioria das horas, esperamos escrever coisas bonitas, cheias de vida, amores, canções bonitas, e quando não estamos pra “bonitezas”, pensamos que não existe poesia. Mas a nós cabe lembrar que a poesia é de vida e é de morte. É como a morte que percorre o corpo e o espírito quando canto... E quando eu canto eu morro e ressuscito. Eu não consigo viver sem poesia, não consigo viver sem destrinchar versos, rasgando a pele, rasgando a voz.

Existem épocas em que nos esgotamos emocionalmente. É preciso tirar forças e energia do corpo todo para ficarmos em pé (no sentido mais amplo)... É a estranha sensação de cansaço físico, mental, emocional e, no meu caso, afetivo.

Histórias ocultas, sem ofensores nem ofendidos, são sempre elas. Tudo o que é oculto tem um tom de obscuridade. Uma coisa boa pode estar oculta, mas até que ela se revele, e não seja mais oculta, ela é obscura. Só que existem coisas que permanecem no lado obscuro. Ou coisas que se revelaram iluminadas e nós as abafamos numa caixa escura, no medo de arriscar. E daí surgem as indigestões. O que se passa aqui comigo é uma indigestão aguda. Logo, eu espero ou digerir ou – com o perdão da palavra – vomitar tudo isso, todo esse incômodo, essa vontade de sumir e dar sumiço em algumas coisas.

Há pétalas da roseira que eu sou por toda a parte... Deu um vento na roseira. E eu vou, devagar, sigo com o sol, vou catando pétalas por aí... E em algum lugar, eu juntarei esse todo espalhado e farei o mosaico-pintura mais bonito, merecedor de um sorriso tranquilo, sereno, feliz. E só então hei de reconhecer e me deixar ser conhecida por alguém que tenha nas mãos o sol da manhã.

Por fim, a poesia me falta, mas é comigo. E sou eu.
A poesia é uma forma de viver, é um viver-vivendo, um devir, um sempre vir-a-ser, por isso as poesias nunca estão prontas, e quem se faz poesia nunca é um todo elaborado e coerente, que é o que eu não quero ser nem vou conseguir, se escolhesse ser...

Sou Poesia.


Tudo há.


Eu decidi subeverter
Transformar todo ponto em discrepância
Todo verbo em vida
Todo incenso em flor.
Todo octógono agora é círculo
E todo cubo é bola
Giram e rodam os sentidos das linhas retas.
Fiz do fogo o descanso
Da tensão... fiz cansaço!
Que a água arde e queima
E transforma na voz o estilhaço.
Do sorriso faço brisa
Do carinho das mãos faço des... alento!
Do pó à massa, passo e junto 
Cada tudo de mim
Espalhado por aí.
Feio me soa belo
E até onde alcançam os sentidos de outrem
Encho todos os cantos
Do vigor da poesia que consome e faz viver.
Afinal,
Quanto de mim há em tudo?
E quanto de tudo há em mim?

Poesia escrita por mim em 08/08/08

domingo, 4 de julho de 2010

Porque sou poeta...

Sim, mais um completar de anos. E não importa quantos são. Estão completos e se completando infinitamente... E ao mesmo tempo, é tanta coisa que se sente, é sentimento junto, que se mistura no cosmos (ou no caos), um não-existir, um incômodo, uma alegria... Porque a morte nos perpassa ao nascer, a cada nascimento diário, e principalmente no aniversariar. Uma alegria mista, um sentimento de não-existir e, ao mesmo tempo, de novamente ser vida. E eu me lembro que sou uma música... Eu me lembro que eu sinto assim porque tenho uma (ou mais peles) a menos. Então eu sou poeta e sinto tudo muito e muito tudo...
É tudo... Porque sou poeta!




Porque sou poeta
(poema escrito por mim, sabe Deus quando, em meados de 2008)
Eu não sei de onde vêm os sonhos
Não entendo muito sobre mistérios
Sei apenas sentí-los:
Doce essência
Que só conheço por viver.
Presença afável de Deus
Que se revela em cada linha
Que desenho, percorro, movo, páro, desejo.
Caminhos...
Porque sou poeta, canto
Porque sou poeta, a cada minuto
Desejo, sincero,
Tocar a beleza das coisas...
Porque sou poeta, sou prece
Que a prece realize dentro de mim
E no mundo toda mudança necessária.
Porque sou poeta, amo:
Tudo aquilo que, de dentro de mim,
Exala ternura que vai ao outro
E volta para mim...
Só sonho porque assim sou
Porque a verdade
É capaz de me libertar
Porque a razão
É capaz de clarear
Porque a vida
Me faz viver.
Amo em tudo quanto faço,
sofro,
luto,
vibro,
celebro.
VIVO!


No dia de meu aniversário, sentada perto do meio fio em Santa Tereza - BH...
"Um rio de asfalto e gente entorna pelas ladeiras, entope o meio fio..." (Clube da Esquina II)
Simbolismos, eu amo.

sábado, 26 de junho de 2010

De repente todos os lugares podem ser Minas Gerais

Noite de sábado, fim de uma semana que ainda não terminou. Por quê? Trabalhei hoje, trabalharei amanhã. Então a semana não tem fim. E a outra não vai ter começo. Pauso apenas para tomar um chocolate-quente, feito com pedaços de chocolate meio amargo (adoro); é uma das partes boas do inverno.

Sempre ando muito de carro por esta cidade – Belo Horizonte. E eu sempre viajo; não só no sentido de locomover-me dentro de um automóvel mas, mentalmente. Isso, de forma que consigo quase fisicamente embarcar em minhas sensações de exterioridade em relação ao lugar em que estou; no caso, o carro, o ônibus, ou quando estou a pé. Se eu estiver ouvindo música, a sensação é próxima a uma sinestesia[1].

Como eu nasci no estado do Rio de Janeiro, na pacata cidade de Resende e num inverno como este, eu tenho a oportunidade e a possibilidade (ou quem sabe até a necessidade) de um sentir múltiplo. Como assim? Boa pergunta, eu não sei responder com exatidão. Mas algumas pessoas sabem, porque tem um feeling parecido. E me entendem per-fei-ta-men-te.

Eu estou em Minas. Mas há lugares de Minas que não são Minas. E há lugares fora de Minas que são tão mais Minas... Ai!... E talvez seja por isso que eu vim, carregada pelo vento, vestir-me desse ser-Minas-Gerais, pra confirmar essa mineiridade. Antes de conhecer Minas eu já era mineira; eu já era barroca, eu já gostava de café quentinho, pão de queijo e manhãs frias numa cidade-do-interior-de-qualquer-lugar, já gostava de ver a neblina pela manhã, de viajar cedinho conversando com os meus, de chegar cedo na casa de meus avós (principalmente os maternos, que estão ainda vivos e moram em Fumaça, zona rural de Resende), tomar leite gorduroso retirado da vaca no último instante, comer aquela broa que a vó fazia/faz cedinho, e depois sentar-me, com meus primos e tios, na praça; sempre na presença de um violão (mesmo que – às vezes – com 5 cordas e um pouco desafinado – risos). Isso tudo é Minas. E eu descobri cantos de Minas no Rio. Descobri pessoas no Rio que são Minas mais Geraes do que tantos mineiros que conheço aqui, em Belzonte. E descobri mais: que estar em Minas não é, necessariamente, ser Minas tão Gerais (parafraseando meu “pai-musical”, Milton Nascimento – amo)...

A capital, essa metrópole, contemporânea demais, abafa, sufoca esse ser mineiro. Há aqueles que conseguem conservar sua mineirice (mesmo não sendo nascidos aqui) e há aqueles que adaptam suas mentes à metrópole, reproduzindo o tipo de atitude que o sociólogo Georg Simmel chamou de atitude blasé: são recebidos tantos estímulos que o indivíduo, para manter-se estável psiquicamente, adota uma série de contatos e comportamentos superficiais, evitando o excesso de estímulos nervosos. De forma mais simples: as pessoas vão-se tornando impessoais.

Eu, ao contrário, sou receptiva a todos os estímulos, e por isso eu tenho o que chamo jocosamente de “surto”. Vejo-me engolida brutalmente pela cidade a ponto de ter que me tornar uma cidadela, um “interior-de-Minas”, porque preciso me referenciar em algo pequeno para que eu mesma caiba dentro de mim e consiga abarcar-me a mim mesma. (Difícil isso? Pra mim também é... Risos.) No fundo, eu ainda estou plantada na pequena Resende e nos cantos por ali, naquele Vale do Paraíba. Estou plantada naquela região ali, onde estabeleci ligações umbilicais com tantas coisas. E talvez por isso eu não tenha penetrado (isso mesmo, adoro usar essa palavra nas horas impróprias) em atividades aqui nesta cidade (BH) que demandassem mais de mim do que eu ainda dou, dei e quero dar às pequenas Minas de onde eu vim, onde eu nasci e onde eu estou “amarrada” umbilicalmente.

Talvez só agora eu tenha entendido plenamente o que é ser do mundo, ser Minas Gerais. Antes, eu entendia num sentido mais geral e amplo, agora eu entendo com o coração e com a minha própria experiência de sentir onde existe e onde não existe Minas... Tenho saudade de Minas... Saudades dessas que chamei carinhosamente de pequenas Minas. Porque às vezes estar fisicamente em Minas não é tão significativo, e eu sinto isso constantemente.

E de repente todos os lugares podem ser Minas Gerais: dentro de um livro, de um sentimento de bucolismo (compartilhado ou não, risos), de acordes de um violão, num jeito de falar, de olhar, de acolher, de receber... Minas é cada canto do meu coração-barroco. Minas é dentro da gente, assim como o sertão (Guimarães Rosa...).

Nesta reflexão, (isso ta mais pra surto do que pra reflexão, mas tudo bem), inspirou-me a música “Saudade de Minas”, que conheci há algumas semanas, mas que me falou tanto ao coração, por mil motivos e acontecências (...). Não vale ler o post sem ouvir a música, ok? (Risos.)

Continua o cheiro do chocolate-quente, restante no fundo da xícara. Faz frio. Eu já tenho sono e, mais uma vez, transportei minha alma para outro lugar.


Saudade De Minas



Sabe aqueles dias que você acorda
E um baixo astral invade a sua porta
Todas as janelas sangraram
Todas as pessoas sumiram
Não existe Minas mais por aqui

Você se transforma corre e vai pra rua
Quer ver as pessoas com cara de sol
Mas sobraram restos de lua
Causando um eclipse na esquina
Não existe Minas mais por aqui

Só então você vai entender
Que em toda cidade é assim
Pessoas estão a querer a felicidade
Carros e buzinas vêm dizer
Que o meu coração se enganou
O mal que ele tinha
Era saudade de Minas...





[1] Sinestesia (do grego συναισθησία, συν- (syn-) "união" ou "junção" e -αισθησία (-esthesia) "sensação") é a relação de planos sensoriaisdiferentes: Por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o olfato. O termo é usado para descrever uma figura de linguagem e uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica.

domingo, 30 de maio de 2010

DAS ACONTECÊNCIAS

AS INDAGAÇÕES:


“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.” (Mário Quintana)

É engraçado como algumas frases parecem ser um texto inteiro, muito maior do que elas próprias. E acontece isso pelo teor dessas palavras que, juntas, podem dar sentido a toda uma existência. Mesmo que essa existência seja recente em nossas vidas, fruto de uma acontecência cujo motivo ainda não entendemos plenamente. É que o acaso – eu não sei – não deve existir; ele promove encontros, despedidas, reuniões e surpresas, mas ele, em si, e por si, não é um acontecimento. É esse acaso que nos faz as melhores perguntas, essas perguntas certas, e deixa em nós sabores, cheiros, sensações, vontades. E eu? Eu sigo perguntando... Conhecendo, sendo conhecida. Descobrindo um outro mundinho.

E eu continuo, também, “roubando” frases de poetas descaradamente... Mas sabe o que é? Eu me sinto co-autora, porque eu vivo. E a poesia passa não somente a existir/ser em mim, mas passa a ser, também, minha; assim como as canções em que divido a voz com alguém. E assim, também, como as canções de tantos poetas e cantores, cantadores.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Reticências e Pontos.

Eu ando tão reticente, tão redundante... Mas parece que minha poesia é inversamente proporcional, sintética, reduzida, pontuada. E por isso vou postar algo não tão novo, mas inédito por aqui:


Boas Vindas

Achega-se, entra.

Traga brisa ou vento, boas vindas!

Deixa aqui lágrima, riso ou alegria

Mas não te esqueças de deixar de si e levar de nós

A fúria e a ternura da poesia!